Secretário e adjunto são afastados por contratos de R$ 2 milhões em SP

Dois integrantes da Secretaria de Turismo de Rio Claro (SP) foram afastados dos cargos por decisão judicial em 14 de outubro de 2026. A medida ocorreu em uma investigação sobre suspeitas de irregularidades em contratos municipais.

Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), a apuração começou em 2025 após uma denúncia apresentada por uma empresa que participou de licitações no município. A empresa apontou possíveis irregularidades nos processos de contratação.

Os investigados são o secretário de Turismo, Guilherme Pizzirani, e o secretário-adjunto, Marcelo Portes. A investigação abrange licitações relacionadas a eventos de Rio Claro entre 2021 e 2026.

investigação de contratos em Rio Claro

A Operação Encenação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apura possíveis fraudes em contratos para eventos municipais. O caso envolve suspeitas sobre os processos licitatórios e o uso de bens públicos.

Suspeitas investigadas em licitações e eventos municipais

De acordo com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), os contratos analisados previam equipamentos, decorações e cenários para eventos como Carnaval, Páscoa e a encenação da Paixão de Cristo. O conjunto de serviços executados por uma empresa se aproxima de R$ 2 milhões, segundo o tenente-coronel Roney Andrade de Lima, do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (10º Baep).



Entre as suspeitas apuradas estão direcionamento de licitações, conluio e sobrepreço. A investigação de contratos em Rio Claro também examina se veículos e maquinários da prefeitura foram usados para buscar materiais que deveriam ser fornecidos pela empresa contratada, embora os serviços fossem pagos pelo município.

O MP apura ainda se barracões e outros espaços ligados aos secretários serviram para armazenar materiais da empresa. Essas suspeitas dizem respeito a possíveis usos de bens e locais públicos ou vinculados aos investigados durante a execução dos contratos.

Afastamentos, buscas e manifestações dos envolvidos

Em 14 de outubro de 2026, equipes do Gaeco e da Polícia Militar cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços de Rio Claro e Mairiporã. As diligências envolveram locais ligados aos dois integrantes da Secretaria de Turismo e a empresas relacionadas à apuração, com apoio de 34 agentes.

Durante as buscas, foram apreendidos R$ 33.520 em dinheiro, quatro celulares e dois notebooks. Segundo as informações da operação, os investigados colaboraram com o cumprimento dos mandados e entregaram documentos; não houve prisões nessa fase.

A decisão judicial afastou os dois agentes públicos dos cargos e suspendeu o direito da empresa ligada ao secretário de participar de licitações e celebrar novos contratos com o município. A Prefeitura de Rio Claro declarou que está à disposição das autoridades e que colaborará com os esclarecimentos; o secretário não havia respondido ao contato da reportagem, e a defesa do adjunto não foi localizada. A análise do material apreendido integra a continuidade da investigação.



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