A Whirlpool, dona da Brastemp e da Consul, transferiu para o Brasil a produção de máquinas de lavar após fechar uma unidade na Argentina. A expansão industrial foi direcionada a Rio Claro, no interior de São Paulo.
A fábrica de Pilar encerrou as atividades em novembro de 2025. A transferência foi confirmada em abril de 2026, e o investimento na unidade paulista foi apresentado em maio, durante visita do vice-presidente Geraldo Alckmin.
Em Rio Claro, o projeto prevê a ampliação da produção e a criação de empregos. Segundo a prefeitura, são 200 vagas diretas; na Argentina, o fechamento da unidade deixou 220 trabalhadores sem emprego.

A mudança ocorre em meio à concorrência de produtos importados e aos custos de produção enfrentados pela operação argentina. O governo federal também estimou 2.800 empregos diretos e indiretos associados ao projeto, incluindo atividades da cadeia produtiva.
Investimento e ampliação da produção em Rio Claro
O aporte anunciado pela Whirlpool soma R$ 300 milhões e contempla a ampliação da unidade de Rio Claro, no interior paulista. A iniciativa integra a estratégia de concentrar no Brasil a produção de lavadoras de abertura frontal, incluindo modelos lava e seca.
O projeto também prevê a adoção de novas tecnologias e mais automação na fábrica. Segundo a empresa, a unidade deverá contar ainda com um polo de inovação voltado ao desenvolvimento de eletrodomésticos para o mercado latino-americano.
A expansão coloca Rio Claro entre os polos de fabricação de lavadoras da América Latina, conforme a meta apresentada para a unidade. O governo federal citou o projeto como exemplo de fortalecimento da indústria nacional, enquanto a produção brasileira também atenderá consumidores argentinos.
Fechamento da fábrica argentina e pressão dos importados
A unidade de Pilar havia sido inaugurada em 2022, com investimento de aproximadamente US$ 50 milhões. Três anos depois, a Whirlpool encerrou a fabricação industrial no local, em meio a dificuldades para competir com produtos importados e com os custos de produção.
Segundo informações publicadas pela imprensa argentina, a redução das tarifas de importação de 35% para 20% aumentou a pressão sobre os fabricantes locais. A Whirlpool também apontou a concorrência de produtos estrangeiros, a queda do consumo e a dificuldade de exportar a preços competitivos entre os fatores para reorganizar suas operações internacionais.
A empresa continuará comercializando eletrodomésticos na Argentina, mas os produtos serão fabricados em outras unidades. Entre elas está a fábrica brasileira de Rio Claro, que passa a integrar o fornecimento ao mercado argentino dentro da reorganização da produção de lavadoras no Brasil.

